Confidências e inconfidências na supervisão psicanalítica como convergência dos três modelos de formação

Autores

  • Luiz Carlos Mabilde Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA)

Palavras-chave:

Supervisão, Prática supervisiva, Supervisionando, Estranho, Objeto analítico, Terceiro intersubjetivo

Resumo

A supervisão foi concebida sob a forma de diagramas, cujas estruturas expressam como o autor organiza e executa sua prática supervisiva. Dentro disso, confidências são entendidas como provenientes do supervisionando, expressas pelo material clínico e demais manifestações. Por outro lado, inconfidências são aquelas intervenções feitas pelo supervisor ao revelar intimidades do que pensa sobre o material clínico, sobre o supervisionando e, desdobrando-se, sobre a sua própria experiência analítica. Repactuar experiências diversas, em setting distintos e de temporalidades anacrônicas, é o desafio imposto à dupla sob a forma de o estranho, conceito equivalente ao de objeto analítico ou de objeto analítico subjugador. De acordo com a técnica e com a estrutura usadas, o presente modelo de supervisão pode ser aplicado a qualquer supervisionando em treinamento da IPA, funcionando na convergência desses três modelos. O trabalho finaliza com um exemplo clínico, através do qual o autor procura ilustrar o exposto (AU)

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Biografia do Autor

Luiz Carlos Mabilde, Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA)

Médico, psicanalista. Membro efetivo e analista didata da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA)

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Publicado

2021-04-04

Como Citar

Mabilde, L. C. (2021). Confidências e inconfidências na supervisão psicanalítica como convergência dos três modelos de formação. Revista De Psicanálise Da SPPA, 28(1), 13–28. Recuperado de https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/897