Revista de Psicanálise da SPPA https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA <p>A Revista de Psicanálise da SPPA é editada desde outubro de 1993 pela <a href="http://sppa.org.br/">Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre</a>, filiada à Associação Psicanalítica Internacional – IPA, sendo um periódico quadrimestral dirigido a pesquisadores, professores, profissionais e estudantes da área de psicanálise. A partir de 2020, ela aderiu ao sistema de publicação em fluxo contínuo. Podem ser submetidos artigos científicos que seguem altos padrões no cuidado editorial dos textos, apresentados nos idiomas português, espanhol, inglês, francês, alemão e italiano, com os requisitos de serem inéditos e originais no Brasil, elaborados em conformidade ao direito do autor e não submetidos ao mesmo tempo a avaliações em outras revistas nacionais.</p> Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre pt-BR Revista de Psicanálise da SPPA 1413-4438 <p><span class="VIiyi" lang="pt"><span class="JLqJ4b ChMk0b" data-language-for-alternatives="pt" data-language-to-translate-into="es" data-phrase-index="0"><span>Atribuo os direitos autorais que pertencem a mim, sobre o presente trabalho, à SPPA, que poderá utilizá-lo e publicá-lo pelos meios que julgar apropriados, inclusive na Internet ou em qualquer outro processamento de computador.</span></span></span></p><p><em><span class="VIiyi" lang="en"><span class="JLqJ4b ChMk0b" data-language-for-alternatives="en" data-language-to-translate-into="pt" data-phrase-index="0">I attribute the copyrights that belong to me, on this work, to SPPA, which may use and publish it by the means it deems appropriate, including on the Internet or in any other computer processing.</span></span></em></p><p><em><span class="VIiyi" lang="en"><span class="JLqJ4b ChMk0b" data-language-for-alternatives="en" data-language-to-translate-into="pt" data-phrase-index="0"><span class="VIiyi" lang="es"><span class="JLqJ4b ChMk0b" data-language-for-alternatives="es" data-language-to-translate-into="pt" data-phrase-index="0">Atribuyo los derechos de autor que me pertenecen, sobre este trabajo, a SPPA, que podrá utilizarlo y publicarlo por los medios que considere oportunos, incluso en Internet o en cualquier otro tratamiento informático.</span></span></span></span></em></p> Por que, ainda, a guerra? https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/1021 <p>O autor descreve e analisa algumas produções artísticas que abordam a guerra, em especial a série de televisão <em>Games of Thrones</em>. A seguir, examina contribuições relevantes de Freud, Green e Arendt que ajudam a identificar a presença da pulsão de morte e suas consequências nas situações de guerra, violência e polarizações tóxicas, tanto no passado quanto no presente. Destaca algumas iniciativas em nível internacional e nacional, assim como no âmbito psicanalítico, que enfrentaram tais ameaças e conseguiram fazer prevalecer, dentro do possível, a pulsão de vida.</p> Cláudio Laks Eizirik Copyright (c) 2024 https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-03-20 2024-03-20 31 1 Editorial https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/1180 <p>Na manhã de 7 de outubro de 2023, estávamos iniciando a atividade comemorativa dos 30 anos da Revista de Psicanálise da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre - SPPA quando recebi notícias sobre um recente ataque terrorista do Hamas a Israel.</p> <p>Aquela informação parecia distante, quase irreal, e aparentemente ficou desconhecida por todos os participantes do evento ao longo do produtivo dia em que discutimos as publicações psicanalíticas. Ficava me questionando sobre a dimensão desta notícia, em um ir e vir mental entre a atividade científica e o receio de mais uma guerra entre tantas (além da invasão russa na Ucrânia desde 2022, sérios conflitos armados seguem acontecendo na Síria, Mianmar, Nigéria, guerra civil no Iêmen, Somália, Sudão, entre Azerbaijão e Armênia...), mas, principalmente, independente de uma demarcação política, pensando em tantas vidas, mentes e futuros atravessados pelo trauma...</p> Ana Cristina Pandolfo Copyright (c) 2024 https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-04-01 2024-04-01 31 1 Psicanálise e precariedade https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/1170 <p>O artigo tem o objetivo de refletir sobre os desafios e as possibilidades de uma clínica em psicanálise com sujeitos em condição de precariedade. Discutiremos a condição precária e as formas como tal precariedade é experimentada de forma diferente pelos sujeitos por meio dos discursos e das formas de violência que permeiam a racionalidade hegemônica na constituição do laço social. Veremos como o viés político e social da clínica pode preservar a potência dos atos e relatos dos sujeitos em condição precária, fazendo essas experiências produzirem vida e sentido, além de transformá-las em experiências capazes de preservar a singularidade dos sujeitos no enredamento dos discursos que possibilitam o laço e a relação social.</p> <p> </p> Inácio Antonio Silva de Mariz Copyright (c) 2024 https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-02-16 2024-02-16 31 1 Experiências iniciais https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/1008 <p>O presente trabalho é fruto das elaborações de um grupo de estudo que abrangeram, inclusive, os anos de pandemia. A partir de um paralelo entre material clínico, uma crônica literária e a experiência emocional compartilhada, refletimos a respeito dos processos de luto que demandam elaboração e transformação do vivido, focando o embasamento teórico no desenvolvimento emocional primitivo, alicerce para experiências posteriores ao longo de toda a vida. Concluímos que a criatividade através do brincar e do fazer literário, dentre outros, são tentativas de dar sentido para realidades difíceis. Os principais autores contemplados neste trabalho foram Ferenczi (1993), Tustin (1990), Bion (1962/1966), Meltzer &amp; Willians (1988/1995) e Winnicott (1956/2000, 1963/1994, 1960/1983, 1990).</p> Adriana Pacheco Pires Ana Luiza Saldanha Wolf Betina Teruchkin Ingeborg Magda Bornholdt Laura Meyer da Silva Lisandra Guillen Lopes de Salles Nyvia Oliveira Sousa Copyright (c) 2024 https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-02-27 2024-02-27 31 1 De olhos bem fechados https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/939 <p>Começando com o famoso filme de Stanley Kubrick, <em>De olhos bem fechados </em>(1999), inspirado na obra de Arthur Schnitzler, <em>Breve romance de sonho </em>(1926), os autores exploram o tema da perversão relacional como uma impossibilidade de sonhar <em>o sonho do outro </em>de um ponto de vista teórico, tanto do lado clínico quanto na qualidade de um fenômeno social cada vez mais generalizado. Uma impossibilidade de sonhar <em>o sonho do outro</em> que, segundo os autores, está enraizada na relação primária entre mãe e filho recém-nascido, em cujo caso ocorre uma verdadeira luta de poder para impor o próprio sonho ao outro. O contexto desse corpo a corpo, que envolve a vida psíquica de ambos, é o de um terceiro ausente, <em>uma figura paterna morta</em>, fisicamente morta ou mentalmente ausente e, de qualquer forma, incapaz de dividir a dupla mãe/recém-nascido, as razões de uma e as razões do outro, dando a cada um o que é seu.</p> Sergio Anastasia Gabriele Cassullo Giuseppe Craparo Benedetto Genovesi Valentina Gentile Silvestro Lo Cascio Fabrizio Nicosia Flavia Salierno Copyright (c) 2024 https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-03-25 2024-03-25 31 1 A virada para a intuição https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/996 <p>A intuição, definida de forma ampla por Kant como o contato com a realidade sem o agenciamento do pensamento racional, foi recuperada por Bion para o vocabulário psicanalítico. Este artigo centra-se no termo bioniano <em>intuição</em> como apresentado nos seus últimos escritos e, particularmente, no seu controverso artigo <em>Notas sobre memória e desejo</em> (1967), que traz expressa de forma contundente a demanda radical de Bion de suspender memória, desejo, consciência e impressões sensoriais, inclusive entendimento, com vistas a evitar qualquer obstáculo para a intuição do psicanalista da realidade com a qual ele deve <em>estar-com</em> <em>(be at one</em>). Dessa forma, o analista entra, junto com o paciente, em um contato intuitivo e em um <em>estar-um-com</em> (<em>being-at-one-with</em>), uma realidade psíquica íntima e perturbadora que o paciente, por si mesmo, não é capaz de suportar. Ofra Eshel expande o significado fundamental dessa abordagem ontológico-intuitiva de ser na experiência (que substitui uma abordagem epistemológica) quando trabalha com estados inconscientes não reprimidos e não representados, os quais ela associa diretamente ao que Bion e Winnicott escreveram nos seus últimos escritos sobre catástrofe mental e colapso precoce e sobre as organizações defensivas maciças levantadas pelo indivíduo para se proteger destes estados. Na vinheta clínica é descrito o ser <em>in-tu-it</em> (<em>intuit</em>), a realidade psíquica desconhecida, impensável e incomunicável do paciente, assim como o lento vir a ser de uma experiência emocional nova e vivida.</p> <p>&nbsp;</p> <p>&nbsp;</p> <p>&nbsp;</p> Ofra Eshel Copyright (c) 2024 https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-03-07 2024-03-07 31 1 Transformações em K e em O https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/962 <p class="Epgrafe" style="margin-left: 0cm; line-height: 150%;"><span lang="PT" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-style: normal;">Neste texto, aproximo a nomeação de Thomas Ogden (2020) de uma psicanálise epistemológica e uma psicanálise ontológica com as transformações em K (conhecimento) e transformações em O (tornar-se) de Bion (1965). Proponho a existência de dois vértices oscilantes, realçando que há um movimento contínuo entre ambos. Compreendo que uma psicanálise epistemológica e ontológica já estava presente no livro de Bion, </span><span lang="PT" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;">Transformações</span><span lang="PT" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-style: normal;"> (1965/2014), ao abordar as transformações em K e as transformações em O, ou seja, o conhecer e o tornar-se. A obra </span><span lang="PT" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;">Transformações</span><span lang="PT" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-style: normal;"> pode ser lida como o testemunho de um processo de transformação em O, uma mudança catastrófica, uma cesura na obra e na vida de Bion a partir de sua mudança para Los Angeles. Nos últimos capítulos de </span><span lang="PT" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;">Transformações</span><span lang="PT" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-style: normal;">, Bion desloca o seu interesse em conhecer a realidade psíquica, transformações em K (conhecimento), para o Ser, o tornar-se, as transformações em O. </span></p> Marina F. R. Ribeiro Copyright (c) 2024 https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-03-25 2024-03-25 31 1 A origem dos pensamentos https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/994 <p>A experiência clínica tem nos aproximado de áreas não conhecidas da experiência (domínios de O), oferecendo-nos subsídios para avançarmos e lançarmos luz nestas áreas de sombras, o que nos possibilita a captação do que sentimos ser os primórdios da vida mental. A autora propõe que Bion trouxe ao modelo de Freud uma modificação em decorrência do acréscimo da teoria dos Elementos b à condição instintiva, ou seja, a presença desta função do pensamento desde a origem, pela fusão dos aspectos filogenéticos e ontogenéticos na dimensão da mente primordial. Entende que os impulsos, assim como as impressões sensoriais e emocionais, são Elementos b nascentes. A mente primordial, como berçário das origens da mente, é uma camada básica, uma área indiferenciada na qual surgem os pensamentos. Estamos adentrando no domínio da alucinose, descobrindo uma matriz pré-verbal, uma zona indiferenciada, o domínio de O, em que ocorrem transformações. O analista, com sua intuição operante, pode sonhar e ser receptivo ao O que evolui e adentra na dimensão de K. Portanto, uma experiência de contato direto do pensador com uma dimensão da realidade não apreensível pelo sensorial, em que os pensamentos existem como a própria dimensão da realidade. Uma sessão clínica é apresentada para a reflexão acerca destes conceitos.</p> Gisèle de Mattos Brito Copyright (c) 2024 https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-03-21 2024-03-21 31 1 O “Isso” e a dimensão estética da psicanálise: https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/1020 <p>A partir de estudos acerca da dimensão estética da psicanálise e da proposta do recente congresso da FEBRAPSI homenageando o clássico trabalho de Freud, <em>O Eu e o Isso</em>, foi proposto neste artigo, com base nas contribuições aportadas por Bion, Winnicott, Meltzer, Civitarese e outros autores pós-bionianos, que o eixo impulsionador do desenvolvimento emocional desloca-se do intrapsíquico para a esfera intersubjetiva a partir das experiências emocionais compartilhadas pelo sujeito e seus objetos. São mencionadas também as repercussões deste modelo estético para o método psicanalítico.&nbsp; <strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong></p> Ruggero Levy Ana Cristina Pandolfo Claudia Giacomet De Carli Iara Lurdes Luchese Wiehe Magali Fischer Renato Moraes Lucas Copyright (c) 2024 https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-03-20 2024-03-20 31 1 Curiosidade e fazer "vista grossa": https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/1186 <p> O trabalho discute as vicissitudes da curiosidade, principalmente quando esta ocorre no campo analítico. Demonstra-se que a arrogância e a estupidez, associadas à curiosidade, fatos intuídos por Bion assinalando catástrofe psicológica, tanto podem alertar para sua possibilidade como para a evasão das percepções que a determinariam. Os fatos são ilustrados com material clínico e com o estudo de mitos. Enfatiza-se a questão do “ver” e “cegar-se” para a realidade, abordando em particular as defesas envolvendo negação (<em>Verneinung</em>), recusa (<em>Verleugnen</em>) e o <em>fazer vista grossa</em>. O mito de Narciso é interpretado, mostrando como a simbiose entre Liríope e seu filho impediram-no de desenvolver a própria mente para <em>ver</em> e viver na realidade triangular. Assinala-se também a relação entre o olhar e a inveja. O mito edípico é retomado, revelando como arrogância, estupidez e curiosidade são acompanhadas também pela evasão da percepção da realidade. Finalmente, a partir da clínica e dos mitos, são discutidas as transformações em alucinose e o fanatismo, indicando como os elementos da tríade descrita se manifestam na crença do paciente em sua superioridade na forma de viver.</p> Roosevelt Moises Smeke Cassorla Copyright (c) 2024 https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-03-20 2024-03-20 31 1 Bion e Wittgenstein https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/1195 <p>O autor utiliza dados do livro que está escrevendo, Razão, loucura e psicanálise – uma investigação a partir de Freud, Bion e Wittgenstein, para expor seu ponto de vista sobre a Teoria das Transformações de Bion. Considera-a uma excelente proposta para a epistemologia da psicanálise e da Grade, um instrumento não dogmático para a avaliação da experiência psicanalítica, inobstante suas deficiências. Faz uma breve introdução ao debate epistemológico anglo-saxão, na qual estuda a competência epistemológica da psicanálise para abordar a loucura, seu principal objeto de estudo. Introduz o diálogo entre a filosofia de Wittgenstein e a psicanálise através da avaliação de dois comentadores, Jacques Bouveresse e Paul-Laurent Assoun, trazendo ainda a sua própria análise, baseada nos desenvolvimentos que a psicanálise experimentou a partir da introdução da teoria das relações de objeto. Mostra como certas contribuições filosóficas de Wittgenstein, em particular as noções de jogos de linguagem e forma de vida, assim como sua crítica à noção tradicional de certeza, podem enriquecer a pesquisa psicanalítica, em especial a teoria e técnica do significado. Indica a influência de Hume na obra de Bion, o que permite uma leitura cética da psicanálise, convertendo-a em um poderoso instrumento de crítica à razão e suas vicissitudes.</p> <p>&nbsp;</p> Ney Couto Marinho Copyright (c) 2024 https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-04-08 2024-04-08 31 1 O impacto de Bion no pensar a psicanálise https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/1166 <p>O artigo procura mapear o impacto das ideias de Bion na forma com que a autora pensa a psicanálise e o fazer psicanalítico. Assim, trata-se de um depoimento pessoal e de um recorte dentre as várias contribuições de Bion. São discutidos aspectos do modelo de funcionamento da mente, dos objetivos de uma análise, das ferramentas técnicas do trabalho analítico e dos analistas e suas instituições. A importância da convergência de Bion com Matte-Blanco é destacada. Ao final, é apresentado o fragmento de um material clínico no qual se discutem mudanças na forma da autora trabalhar a partir das várias experiências e estudos ao longo de seus anos de trabalho, marcadas pelo impacto, principalmente, das contribuições&nbsp;de&nbsp;Bion.</p> Viviane Sprinz Mondrzak Copyright (c) 2024 https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-03-26 2024-03-26 31 1 Concebendo-me como psicanalista https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/985 <p>Partindo de um relato clínico, o autor expõe e procura fundamentar teoricamente como concebe, nesse momento, o que constitui a relação analítica, o trabalho que procura realizar em conjunto com o analisando e o que pensa serem os fatores básicos do efeito terapêutico a ser alcançado. Considera que as emoções vigentes na relação analítica constituem, conforme propõe Bion, o ponto de partida (e de chegada) de todo o processo de elaboração terapêutica, sendo geradas pelo par analítico, de forma assimétrica. A tarefa analítica consiste em propiciar um ambiente suficientemente facilitador para que as emoções presentes possam ser percebidas, sentidas, sonhadas (no sentido que Bion dá ao termo) e compreendidas sob diferentes vértices. O efeito terapêutico seria sustentado pela introjeção do par analítico como, segundo Meltzer, um objeto combinado com funções de ideal de ego inspiracional.</p> Raul Hartke Copyright (c) 2024 https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-03-21 2024-03-21 31 1 Experiência emocional, vínculos e transformações https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/1011 <p>Bion traz uma mudança de paradigma na psicanálise ao propor que o pensamento antecede a capacidade de pensar. Entende que as teorias clássicas não oferecem o entendimento adequado dos pacientes com distúrbio do pensamento. A partir dessas ideias, a capacidade de conter as experiências emocionais e sensoriais e estabelecer vínculos/emoções entre elas irá pautar a observação psicanalítica. Através de vinhetas clínicas, a autora tece conjecturas imaginativas a respeito dos fenômenos/experiências emocionais e sensoriais que ocorrem, entre paciente e analista, na sala de análise. Para fundamentar esta compreensão, é utilizado o vértice da teoria do pensamento, conhecimento e transformações proposto por Bion e por autores que trouxeram acréscimos e novas leituras a tais teorias.</p> Anie Stürmer Copyright (c) 2024 https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-03-20 2024-03-20 31 1 Um tsunami passou por aqui – você viu? https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/1009 <p>Neste trabalho, acompanhamos a surpreendente declaração de Bion de que os pensamentos antecedem o pensar. Uma ideia revolucionária, muito espantosa, que nos leva a indagar porque Bion se expressou desse jeito. Nossa tese é que ele se preocupava principalmente com tudo o que promovia desenvolvimento mental, e não apenas com nossos recursos para sobreviver. Assim que nascemos, a nossa primeira preocupação é sobreviver. Em seguida, surge o desafio do desenvolvimento, que nos provê com instrumentos psíquicos para enriquecer o nosso percurso existencial e permitir que nos confrontemos com obstáculos mais complexos.</p> Celso Antonio Vieira de Camargo Copyright (c) 2024 https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-03-20 2024-03-20 31 1