Entre Eros e Thanatos – o analista no território do negativo
Palavras-chave:
Pulsão, Eros e Thanatos, Função objetalizante e função desobjetalizante, Trabalho do negativo, Narcisismo de vida e de morte, Simbolização, Técnica psicanalíticaResumo
O artigo parte da história verídica de Christopher McCandless, relatada por Jon Krakauer em seu livro Na natureza selvagem (1996), para refletir sobre a complexa articulação da pulsão de morte na clínica psicanalítica e suas implicações técnicas diante das manifestações radicais de desligamento e de destrutividade. Ao situar McCandless como um exemplo em particular, cujo percurso evidencia tanto o apelo ao absoluto quanto a recusa dos laços afetivos, abre-se espaço para pensar a maneira como o analista se vê confrontado com a desobjetalização a partir da transferência. Tomando como base a conceituação pulsional de Freud, o artigo investiga os desafios teóricos e técnicos suscitados pela emergência da pulsão de morte, mobilizando o pensamento de André Green sobre a negatividade do trabalho do negativo e as formulações de René Roussillon e Thomas Ogden acerca do manejo clínico nas zonas de não-representatividade do campo intersubjetivo. Defende-se que o manejo clínico da pulsão de morte requer uma escuta paradoxal, capaz de acolher o impulso em direção ao zero absoluto, sem jamais abandonar a esperança de sua conversão em vida simbólica. O percurso de McCandless, assim, serve de alegoria para os impasses clínicos do analista face àquilo que é inassimilável, convocando a repensar o manejo em territórios onde a vida psíquica flerta com a sua própria extinção.
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