Espaço, tempo e relacionamentos na pandemia: elaborações

Autores

Palavras-chave:

Análise remota, Pandemia, Isolamento social, Espaço, Casa, Tempo, Relações, transferência

Resumo

A crise pandêmica e as subsequentes experiências de confinamento vividas por muitas pessoas são examinadas por três psicanalistas pelo viés dos efeitos, tanto manifestos quanto latentes, que se fizeram sentir em suas clínicas privadas. As dimensões de espaço, tempo e relações interpessoais, tidas como constituintes dos vínculos básicos que sustentam o sentimento de identidade, foram escolhidas como balizas organizadoras do material apresentado. A dimensão do espaço é abordada através das variações das representações de casa que se fizeram presentes no trabalho associativo em análise: a casa em suas dimensões de concentração, verticalidade e horizontalidade; a casa acolhedora, protetora, invadida, aprisionante, arruinada, reparada, reformada, ampliada, magnífica, portadora de vestígios do passado, projeto de futuro. O tempo é abordado em seus aspectos de enquadramento da situação analítica, na variedade que imprime às experiências subjetivas, e também como elemento temático do material associativo produzido em análise. As relações interpessoais são abordadas, principalmente, pela perspectiva dos efeitos da pandemia e do confinamento sobre as relações transferenciais-contratransferenciais na situação de análise remota. Ao final, são propostas hipóteses interpretativas sobre duas atitudes opostas: a arrogância negacionista e a obsessividade nos cuidados e precauções, sugerindo que ambas são decorrentes de fantasias infantis de onipotência (AU)

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Luís Cláudio Figueiredo, Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro (CPRJ)

Psicanalista, membro efetivo do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro (CPRJ) e professor do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da PUC-SP.

Octavio Souza, Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro (CPRJ)

Psicanalista, membro efetivo do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro, pesquisador do Instituto Fernandes Figueira/FIOCRUZ.

Paulo Sergio Lima Silva, Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro (CPRJ)

Psicanalista, doutor em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Membro efetivo do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro (CPRJ). Membro aderente e supervisor da Sociedade de Psicanálise da Cidade do Rio de Janeiro (SPCRJ).

Referências

Adorno, T.W. (2006). A teoria freudiana e o modelo fascista de propaganda. Trad. de Gustavo Pedroso. Revista Margem Esquerda. Ensaios Marxistas, 7. (Original publicado em 1951a)

Adorno, T.W. (2018, 25 de outubro). A teoria freudiana e o modelo fascista de propaganda. Trad. de Gustavo Pedroso. In A. Renzo, Adorno: a psicanálise da adesão do fascismo. Blog da Boitempo. Recuperado de https://blogdaboitempo.com.br/2018/10/25/adorno-a-psicanalise-da-adesao-ao-fascismo/ (Original publicado em 1951b)

Bachelard, G. (1978). A poética do espaço. In Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural. (Original publicado em 1957)

Baranger, M., & Baranger, W. (1961-62). La situación analítica como campo dinámico. Revista Uruguaya de Psicoanálisis (En línea), 4(1). Recuperado de https://www.apuruguay.org/apurevista/1960/1688724719611962040101.pdf

Camus, A. (2017). A peste. Rio de Janeiro: Record. (Original publicado em 1947)

Civitarese, G. (2008). ‘Caesura’ as Bion’s discourse on method. The International Journal of Psychoanalysis, 89(6). https://doi.org/10.1111/j.1745-8315.2008.00089.x

Costa Pereira, M.E. (1999). Pânico e desamparo. São Paulo: Escuta.

Duarte, P. (2020). A pandemia e o exílio do mundo. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo.

Freud, S. (2011). Psicologia das massas e análise do eu. São Paulo: Cia das Letras. (Original publicado em 1921)

Grinberg, L. (1971). Identidad y cambio. Buenos Aires: Kargieman.

Lebrun, J-P. (2008). A perversão comum. Rio de Janeiro: Companhia de Freud.

Lima Silva, P.S. (2020). O medo e a experiência do tempo, do espaço e do contato durante o confinamento, Cadernos de Psicanálise - CPRJ, 42 (42)

Mannoni, O (1973). Eu sei, mas, mesmo assim. In Chaves para o Imaginário. Petrópolis: Vozes.

Moreira Salles, J. (2020). A morte e a morte. Jair Bolsonaro entre o gozo e o tédio. Piauí – Folha de São Paulo, 166 (tempos da Peste). Recuperado de https://piaui.folha.uol.com.br/materia/a-morte-no-governo-bolsonaro/

Publicado

2021-12-04

Como Citar

Mendonça Figueiredo, L. C., Souza, O., & Lima Silva, P. S. (2021). Espaço, tempo e relacionamentos na pandemia: elaborações. Revista De Psicanálise Da SPPA, 28(3), 669–694. Recuperado de https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/figueiredo_souza_silva