Avatares como objetos transicionais:
explorações de identidade sexual em ambientes digitais
Palavras-chave:
Avatares digitais, Objetos transicionais, Identidade de gênero não-binária, Espaço potencial digital, AdolescênciaResumo
O artigo investiga a maneira com que avatares digitais funcionam como objetos transicionais na exploração da identidade sexual entre adolescentes. A partir do caso clínico de Lucas, que vivenciava uma identidade não-binária através de Luna, avatar feminino em jogos on-line, demonstra-se como espaços digitais operam na qualidade de áreas intermediárias winnicottianas. Articulando Winnicott, Ogden, Bion, Rotenberg e Gherovici, o estudo revela que Luna funcionou como laboratório identitário protegido, precedendo transformações off-line que culminaram em sua autodescoberta como Alex (pessoa não-binária). A análise evidencia que, embora o avatar facilite identificações projetivas e experimentações, a transformação psíquica profunda depende de relações humanas continentes – comunidade on-line validadora e, fundamentalmente, trabalho analítico metabolizador. Conclui-se que avatares, quando sustentados de forma analítica, catalisam transformações identitárias genuínas, exigindo a revisão dos pressupostos virtual/real sem abandonar o rigor metapsicológico.
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