Uso dissimulativo do objeto e a corrupção da verdade

Autores

  • Carlos Augusto Ferrari Filho Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA)

Palavras-chave:

Mal-estar na cultura, Pensamento mágico, Dissimulação da verdade

Resumo

O discurso, no âmbito do sujeito social, constitui um eficiente modulador das relações estruturais civilizatórias. Como norma, espera-se que o processo comunicacional cumpra a sua função precípua de esclarecer e facilitar a compreensão da realidade e, portanto, contribuir positivamente para a construção do conhecimento. Mas, em tempo de crise, em época de exacerbação do mal-estar na cultura, é lícito esperar que o uso da palavra, em particular do discurso racional, mantenha a sua potência organizadora? Dentro de um recorte conceitual psicanalítico, utilizando-se alguns conceitos de Freud sobre o desenvolvimento dos rudimentos de um aparelho psíquico capaz de pensar a realidade em si, ou o incognoscível, discute-se a força (des)estruturante da palavra. Observa-se, de forma mais específica, a força do pensamento mágico, ou a potência do desejo, que, em situações de crise, ao avançar sobre o pensamento racional, possui o poder de desconstruir a força reveladora da palavra. Discute-se brevemente, utilizando um exemplo clínico e duas situações históricas, um conceito exploratório e o uso dissimulativo do objeto, que examina o efeito psíquico desorganizador frente ao falseamento da verdade (AU)

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Biografia do Autor

Carlos Augusto Ferrari Filho, Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA)

Membro efetivo e psicanalista didata da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA).

Referências

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Publicado

2021-07-07

Como Citar

Ferrari Filho, C. A. (2021). Uso dissimulativo do objeto e a corrupção da verdade. Revista De Psicanálise Da SPPA, 28(1), 137–153. Recuperado de https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/827

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