A contribuição de Ferenczi ao conceito de contratransferência

Autores

  • Luis Jorge Martín Cabré Sociedade Psicanalítica de Madrid.

Palavras-chave:

Relação Freud-Ferenczi, Contratransferência, Empatia, Contraidentificação projetiva, Regressão, Análise do analista, Diário Clínico

Resumo

O autor desenvolve o tema da contratransferência a partir das primeiras formulações freudianas sobre o conceito e o papel desempenhado por Sándor Ferenczi como o teórico clássico mais importante deste contemporâneo e ineludível tema da psicanálise. Destacando a atitude de Freud, não necessariamente crítico sobre o contratransferencial, demonstra-se como foi Ferenczi quem inaugurou o parâmetro técnico do uso da contratransferência como ferramenta clínica fundamental, o conceito de empatia (Einfühlung) e a segunda regra fundamental do analista. Posteriormente, desenvolvem-se certos aspectos da perspectiva clínica de Ferenczi, tais como o papel da compulsão à repetição, a regressão terapêutica, o interjogo transferência-contratransferência, e as diferentes experimentações ferenczianas, relacionando-os com trabalhos contemporâneos tais como os de Winnicott, Racker, Searles, M. Little y P. Heimann. O artigo demonstra como muitas das idéias atribuídas a estes autores e a muitos outros haviam sido intuídas, em grande parte, por Ferenczi, antecipando-se, com isso, a muitas teorias contemporâneas no que se refere à utilidade da contratransferência, da identificação projetiva e da contraidentificação projetiva como instrumentos técnicos indispensáveis para o trabalho analítico, para o reconhecimento da participação emocional do analista e a possibilidade de penetrar na transferência do paciente e de observar e interpretar as reações contratransferenciais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Luis Jorge Martín Cabré, Sociedade Psicanalítica de Madrid.

Membro Efetivo da Sociedade Psicanalítica de Madrid (SPM)

Referências

BALINT, A. y M. BALINT (1939). On transference and countertransference. In: International Journal of Psychoanal., 20, p. 223-230.

BARANGER, M. y W. BARANGER (1969). Problemas del campo psicoanalítico, Buenos Aires, Kargieman.

BION, W. R. (1962). Learning from experience, Londres, W. Heinemann.

. (1970). Attention and interpretation: a scientific aproach to insight in psycho-analysis and groups. London, Tavistock.

. (1966). Il cambiamento catastrofico, Turín, Lerscher, 1981.

BOLLAS, C. (1983). Expressive uses of the countertransference, Contempor. Psychoanal., 19, pp. 1-34.

CAPARRÓS, N. (ed.). Correspondencia de Sigmund Freud (1909-1914). Tomo III. Expansión. La Internacional Psicoanalítica., Madrid, Biblioteca Nueva, 1997, p.476.

DE FOREST, I. (1942). The therapeutic technique of Sándor Ferenczi. In: International Journal of Psychoanal., 23, p. 120-139.

DEUTSCH, H. (1926). Occult process occurring during psychoanalysis, In: Psychoanalysis and the occult, Nueva York, Int. Univ. Press, 1953.

EPSTEIN, L. (1977). The therapeutic function of hate in the countertransference, Contempor. Psychoanal., 13, pp. 442-461.

ETCHEGOYEN, H. (1993). Freud, Ferenczi y el análisis didáctico, Barcelona, Tres al cuarto, p.237.

FALZEDER, E. (1997). Ma grande patiente, mon fléau principal: un cas de Freud inconnu jusqu’a présent et ses répercussions, Revue Française de Psychanalyse, v. 61 (4), pp. 1265-1290.

FERENCZI, S. (1919a). Dificultades técnicas en un análisis de histeria, In: OC, v. 3. Madrid, Espasa Calpe, 1981.

. (1919b). La técnica psicoanalítica, In: OC, v. 2. Madrid, Espasa Calpe, 1981.

. (1921). Prolongaciones de la técnica activa en psicoanálisis, In: OC, v. 3. Madrid, Espasa Calpe, 1981.

. (1924). Los fantasmas provocados, In: OC, v. 3. Madrid, Espasa Calpe, 1981.

. (1928a). La adaptación de la familia al niño, In: OC, v. 4. Madrid, Espasa Calpe, 1981.

. (1928b). El problema del fin del análisis, In: OC, v. 4. Madrid, Espasa Calpe, 1981.

. (1928c). Elasticidad de la técnica psicoanalítica, In: OC, v. 4. Madrid, Espasa Calpe, 1981.

. (1928d). El proceso de la formación psicoanalítica., In: OC, v. 4. Madrid, Espasa Calpe, 1981, p. 267).

. (1930). Principio de relajación y neocatarsis, In: OC, v. 4. Madrid, Espasa Calpe, 1981.

. (1933). Diario clínico, Amorrortu, Buenos Aires, 1997.

. y O. RANK (1924). Perspectivas del psicoanálisis, In: OC, v. 3. Madrid, Espasa Calpe, 1981.

FREUD, S. (1910a). Las perspectivas futuras de la terapia psicoanalítica. In: OC, v. 11. Madrid, Amorrortu, 1991.

. (1910b). Sobre el psicoanálisis silvestre, In: OC, v. 11. Madrid, Amorrortu, 1991.

. (1912). Consejos al médico sobre el tratamiento psicoanalítico, In: OC, v. 12. Madrid, Amorrortu, 1991.

. (1914). Recordar, repetir y reelaborar, In: OC, v. 9. Madrid, Amorrortu, 1952.

. (1915) [1914]. Puntualizaciones sobre el amor de transferencia, In: OC, v. 12. Madrid, Amorrortu, 1991.

. (1919a) La editorial psicoanalítica internacional y los premios para trabajos psicoanalíticos. In: OC, v. 20. Madrid, Amorrortu, 1991.

. (1919b). Nuevos caminos de la terapia psicoanalítica, In: OC, v. 17. Madrid, Amorrortu, 1991.

GORKIN, M. (1987). The uses of the countertransference, Nueva York, Aronson.

GRINBERG, L. (1956). Sobre algunos problemas de técnica psicoanalítica determinados por la identificación y contraidentificación proyectivas, Revista de Psicoanálisis, v. 13, p. 507-511.

. (1963). Psicopatología de la identificación y contraidentificación proyectivas y de la contratransferencia. Revista de Psicoanálisis, v. 20, p. 113-123.

. (1976). Teoría de la identificación, Buenos Aires, Paidós.

HANN-KENDE, F. (1933). On the role of transference and countertransference in psychoanalysis, Nueva York, Internat. Univ. Press.

HAYNAL, A. (1989). De la correspondance (avec Freud) au Journal (de Ferenczi), Revue Internationale d’ Histoire de la Psychanalyse. París, PUF, v. 2, p. 167-254.

HEIMANN, P. (1950) On countertransference. In: International Journal of Psycho-Anal., 31, p. 81-84.

. (1980). A proposito di bambini e non più bambini, Roma, Borla, 1994.

KOHUT, H. (1971). The analysis of the self: a systematic approach to the psychoanalytic treatment of narcissistic personality disorders. Nueva York, Int. Univ. Press.

LANGS, R. (1974). La tecnica della psicoterapia, Turín, Boringhieri, 1985.

LITTLE, M. (1951). Countertransference an the patient response. In: International Journal of Psychoanal., 33, p. 32-40.

MANCIA, M. (1995). Percorsi: psicoanalisi contemporanea. Turín: Bollati Boringhieri.

MCGUIRE, W. (1974). Lettere tra Freud e Jung (1906-1913), Torino, Bollati Boringhieri.

RACKER, H. (1953). Los significados y usos de la contratransferencia, In: Estudios sobre técnica psicoanalítica, Buenos Aires, Paidós, 1960.

. (1968). Transference and countertransference, Londres, Hogarth Press.

SEARLES, H. F. (1975). The patient as therapist to his analyst, In: GIOVACCHINI, P.L. Tactis and techniques in psychoanalytic therapy, London, Hogarth Press.

SPEZIALE-BAGLIACCA, R. (1986). La corrispondenza con Groddeck e il Diario Clinico: S. Ferenczi e il contenitore. In: Rivista di Psicoanalisi, v.4, 1986. año XXXII, n. 4

SULLIVAN, H.S. (1953) Teoria interpersonale della psichiatria, Milán, Feltrinelli, 1972.

WINNICOTT, D. W. (1947). Hate in the countertransference In: International Journal of Psychoanal., v. 30, p. 69-74.

. (1965). The maturational process and the facilitating environment, London, Hogarth Press.

ZETZEL, E. (1956). Current concepts of transference. In: International Journal of Psychoanalysis, v. 37, p. 369-376.

Publicado

2008-04-11

Como Citar

Martín Cabré, L. J. (2008). A contribuição de Ferenczi ao conceito de contratransferência. Revista De Psicanálise Da SPPA, 15(3), 503–522. Recuperado de https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/820

Edição

Seção

Artigos