Consciência: um olhar complexo

Autores

Palavras-chave:

Consciência, Complexidade, Autopoiese, Psicanálise como experiência autopoiética

Resumo

Neste texto é retomada uma idéia de Freud pouco mencionada, seguindo os passos de Mark Solms (1997) e na qual ele, Freud, afirma ser a atividade mental inteiramente inconsciente, sendo a consciência apenas uma percepção parcial, limitada e não confiável do que realmente se passa na mente. Examinando-a à luz do paradigma da complexidade, parece ser uma postura compatível com idéias de Espinosa, Maturana, Varela e outros pensadores provenientes de campos tão díspares quanto física, matemática, cibernética e neurociências. Um histórico destes outros campos mostra que a psicanálise influenciou e foi influenciada por eles, participando na evolução de conhecimentos sobre a mente humana. É discutido o pressuposto de que a consciência tem o mesmo estatuto de outros sentidos, como visão e audição, não havendo distinção entre corpo e mente, pois são expressões de uma unidade funcional. Aceitar a mudança de paradigma, a rigor, poucas diferenças trará na prática psicanalítica, desde sua origem impregnada das noções de complexidade, mas a compreensão dos fenômenos estudados, sim, merecerá novas abordagens e explicações decorrentes da impossibilidade de transmissão de conhecimentos, o que leva a trazer à baila a constituição interna dos participantes e suas respectivas autopoieses (AU)

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Biografia do Autor

Luiz Ernesto Pellanda, Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA). Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Membro efetivo da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA). Especialista em Clínica Médica pela AMB, Especialista em Clínica Psiquiátrica pela UFRGS.

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Publicado

2021-04-11

Como Citar

Pellanda, L. E. (2021). Consciência: um olhar complexo. Revista De Psicanálise Da SPPA, 15(3), 421. Recuperado de https://revista.sppa.org.br/RPdaSPPA/article/view/803

Edição

Seção

Artigos