Escuta desviante:
uma psicanálise possível
Palavras-chave:
Binarismo de Gênero, Normas de Gênero, Psicanálise, SexualidadeResumo
O trabalho discute o saber psicanalítico na escuta de corpos sexo-gênero dissidentes, a partir de uma práxis que se desvia do regime binário masculino/feminino. Argumenta-se sobre a importância de a psicanálise acompanhar as transformações de seu tempo, considerando os novos modos de viver e de expressar sexualidades e gêneros que escapam aos binarismos. Objetiva-se, assim, repensar o campo psicanalítico à luz das mudanças contemporâneas, analisando possibilidades clínicas que se afastem das normatividades, em especial na escuta de corpos sexo-gênero dissidentes. Com isso, compreende-se a necessidade de revisitar certos conceitos estruturantes da teoria freudiana, como a diferença sexual, as representações de masculinidade e feminilidade e a centralidade fálica. Para tanto, foi adotado o método de revisão bibliográfica de caráter teórico-exploratório. O percurso teórico evidencia que não há uma via única de constituição das subjetividades, desejos e sexualidades. Além disso, discute-se um amplo campo de possibilidades para práticas psicanalíticas que se distanciam de concepções tradicionais, favorecendo um posicionamento teórico-clínico capaz de questionar normas binárias e acolher a diversidade das experiências humanas.
Downloads
Referências
Beer, P. & Ambra, P. (2021). Perguntas que importam: o gênero e as fronteiras teóricas da psicanálise. Recherches en psychanalyse, 32(2), 105-125.
Birman, J. (2017). Gramáticas do erotismo. Rio de Janeiro: Civilização brasileira.
Butler, J. (2003). Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização brasileira.
Butler, J. (2019). Atos performáticos e a formação dos gêneros: um ensaio sobre fenomenologia e teoria feminista. In Pensamento feminista: conceitos fundamentais (pp. 213-230). Rio de Janeiro: Bazar do Tempo.
Caffé, M. (2022). Psicanálise e violência social de gênero. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 25, 578-596.
Fiorini, L. G. (2013). A sexualidade em cena. Calibán: Revista Latinoamericana de Psicoanálisis, 16(1), pp. 104-106.
Fiorini, L. G. (2014). Repensando o complexo de Édipo. Revista Brasileira de Psicanálise, 48(4), 47-55.
Fiorini, L. G. (2017). Subjetividades em transição, parentalidades contemporâneas: diversidade e diferença. Revista Brasileira de Psicanálise, 51(2), 91-102.
Fiorini, L. G. (2018). Diferencia (s): nuevas construcciones. SIG revista de psicanálise, 7(2), 87-96.
Freud, S. (2011). Algumas consequências psíquicas da diferença anatômica entre os sexos. In O Eu e o Isso, “Autobiografia” e outros textos, (Vol. XVI, pp. 256-271). Tradução Paulo César Souza. São Paulo: Companhia das Letras (Trabalho original publicado em 1925)
Freud, S. (2010a). Sobre a sexualidade feminina. In O mal-estar na civilização, novas conferências introdutórias à Psicanálise e outros textos, (Vol. XVIII, pp. 202-222). Tradução Paulo César Souza. São Paulo: Companhia das Letras (Trabalho original publicado em 1931)
Freud, S. (2010b). Feminilidade. In Novas conferências introdutórias à psicanálise. Tradução Paulo César Souza. São Paulo: Companhia das Letras (Trabalho original publicado em 1933)
Lacan, J. (1953). Função e campo da fala e da linguagem. In Escritos (pp. 238-324). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
Lacan, J. (1966). A ciência e a verdade. In Escritos (pp. 869-892). Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar, 1998.
Laqueur, T. (2001). Inventando o sexo. Rio de Janeiro: Relume Dumará.
Moscona, S. L. (2016). Lecturas actulaes del complejo de Edipo. Trabalho apresentado no XXXVIII Simposio Anual da Asociación Psicoanalítica de Buenos Aires, Argentina.
Muszkat, S. (2014). As neossexualidades e a discussão do modelo binário. Revista Brasileira de Psicanálise, 48(4), 106-112.
Pombo, M. (2018). Diferença sexual, psicanálise e contemporaneidade: novos dispositivos e apostas teóricas. Revista Latinoamericana de psicopatologia fundamental, 21, 545-567.
Preciado, P. B. (2018). Testo junkie: sexo, drogas e biopolítica na era farmacopornográfica. São Paulo: N-1 Edições.
Preciado, P. B. (2022). Eu sou o monstro que vos fala: informe para uma academia de psicanalistas. Rio de Janeiro: Zahar.
Rodulfo, R. (2001). Para una desconstrucción del (complejo de) Edipo y su emplazamiento en el psicoanálisis tradicional. Natureza Humana-Revista Internacional de Filosofia e Psicanálise, 3(2), 215-231.
Rotenberg, E. (2018). A complexidade na psicossexualidade e na identidade. Revista de Psicanálise da SPPA, 25(3), 523-556.
Wittig, M. (2019). Não se nasce mulher. In H. B. Hollanda, Pensamento feminista: conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Atribuo os direitos autorais que pertencem a mim, sobre o presente trabalho, à SPPA, que poderá utilizá-lo e publicá-lo pelos meios que julgar apropriados, inclusive na Internet ou em qualquer outro processamento de computador.
I attribute the copyrights that belong to me, on this work, to SPPA, which may use and publish it by the means it deems appropriate, including on the Internet or in any other computer processing.
Atribuyo los derechos de autor que me pertenecen, sobre este trabajo, a SPPA, que podrá utilizarlo y publicarlo por los medios que considere oportunos, incluso en Internet o en cualquier otro tratamiento informático.




