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Into the wild: o labirinto da adolescência

Ana Belchior Melícias

Resumo


Através do filme Into the wild, considerado pela autora deste artigo como paradigmático da adolescência e tomado como narrativa onírica, serão entrelaçadas a dimensão mítica da adolescência como uma passagem labiríntica, através da metáfora do mito de Teseu e do Minotauro, e a dimensão fantasmática da adolescência definida como um surto do id, ou seja, a integração pulsional da sexualidade, num segundo tempo no qual a fantasia incestuosa e parricida tem agora os elementos para concretizarse, levando o adolescente a uma ressignificação, a posteriori, das dimensões narcísica e edípica reativadas. O artigo segue a trajetória do filme, do mito e das vicissitudes da adolescência através de três momentoschave: a entrada no labirinto-adolescência pela necessidade de ressignificar a própria origem, o labirinto e a luta com o Minotauro-pulsional para a sua integração e a possibilidade de saída do labirinto-adolescência através do fio-de-Ariadne-integração emocional.

Palavras-chave: trajetória, adolescência, labirinto, cinema, psicanálise aplicada.

 

Abstract

Into the wild: the labyrinth of adolescence

The film Into the wild is considered by the author a paradigmatic portrayal of adolescence and an oneiric narrative. This work intertwined the mythical dimension of adolescence as a labyrinthic passage, analysed through the metaphor of the myth of Theseus and the Minotaur, with the phantasmatic dimension of adolescence, defined as an outbreak of the id. This outbreak represents the integration of the sexual drive in a second moment when incest and parricidal fantasies possess the necessary elements to become reality, leading the adolescent to an a posteriori re-signification of the re-activated narcissistic and oedipal dimensions. The article follows the trajectory of the film, of the myth and of the adolescence, through three key moments: the entrance into the labyrinth of adolescence through the need of re-signifying the origin, the labyrinth and the battle with the minotaur-drive and, finally, the exit from the labyrinth and from adolescence through Ariadne’s thread of emotional integration.

Keywords: trajectory, adolescence, labyrinth, film, applied psychoanalysis.

 

Resumen

Into the wild: el laberinto de la adolecencia

A través de la película Into the wild, considerado por la autora de este artículo como paradigmático de la adolescencia y tomado como narrativa onírica, se entrelazan la dimensión mítica de la adolescencia como un pasaje laberíntico, mediante la metáfora del mito de Teseo y del Minotauro, y la dimensión fantasmática de la adolescencia definida como un surto del ello, es decir, la integración pulsional de la sexualidad, en un segundo tiempo en el que la fantasía incestuosa y parricida tiene ahora los elementos para concretizarse, llevando al adolescente a una resignificación, a posteriori, de las dimensiones narcísica y edípica reactivadas. El artículo sigue el recorrido de la película, del mito y de las vicisitudes de la adolescencia a través de tres momentos clave: la entrada en el laberinto-adolescencia por la necesidad de resignificar el propio origen, el laberinto y la lucha con el Minotauro-pulsional para su integración y la posibilidad de salida del laberinto-adolescencia por medio del hilo-de-Ariadna-integración emocional.

Palabras clave: recorrido, adolescencia, laberinto, cinema, psicoanálisis aplicado.



Palavras-chave


trajetória, adolescência, labirinto, cinema, psicanálise aplicada.

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DOI: https://doi.org/10.5281/sppa%20revista.v22i3.209

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