Acesso Livre Acesso Livre  Acesso restrito Acesso Restrito

Tradução, interpretação e poesia. Faces do mesmo?

Junia de Vilhena, Joana de Vilhena Novaes, Carlos Mendes Rosa

Resumo


A tradução, como a interpretação psicanalítica, é sempre incompleta,defeituosa, imperfeita, assim como o próprio sujeito. Os poetas permitemao leitor brincar com as palavras, sílabas ou frases, desfrutando do textoao seu bel-prazer. Tradutores se beneficiam com a polissemia do texto, afim de recriar a sua própria versão do original. O analista, ao interpretar,condensa a polissemia do discurso do sujeito em análise. Todas as versõessão sempre inesperadas para os três. Tentamos retomar aqui a poesiados textos originais de Freud, solapada por algumas traduções.Investigamos também a estreita relação entre o poeta e o psicanalista,apontada por Lacan, bem como alguns parâmetros clínicos importantesque poderiam ser incluídos na pesquisa da interpretação psicanalítica etambém na produção da poesia. Poesia, que é um efeito de sentido, étambém um não-sentido. Portanto, não se situa no terreno da significaçãoracional, mas sim nos limites do impossível. Paradoxalmente, abre infinitaspossibilidades ao sujeito.

Palavras-chave


tradução, interpretação, psicanálise, sujeito.

Texto completo:

PDF

Referências


Auster, P. (1999). A trilogia de Nova York: cidade de vidro, fantasmas e o quarto fechado. São Paulo: Companhia das Letras.

Barros, M. (2001). Tratado geral das grandezas do ínfimo. In Poesia completa. São Paulo: Leya.

Berlinck, M. (1997). O que é psicopatologia fundamental. Psicologia, ciência e profissão, 17(2): 3-20.

Berman, A. (1984). L’épreuve de l’étranger. Paris: Gallimard.

Bettelheim, B. (1982). Freud e a alma humana. São Paulo: Cultrix.

Brum, E. (2014). Meus desacontecimentos: história da minha vida com as palavras. São Paulo: Leya.

Coutinho, A. (2013). A especificidade da memória em psicanálise. Estudos da Língua(gem) 11 (1): 59-74.

Derrida, J. (2002). Eu, a psicanálise. Pulsional – Revista de Psicanálise, 15 (158): 11-21.

Fontes, M. (2007). Parole chiave: dizionario di italiano per brasiliani. São Paulo: Martins Fontes; Giunti Editore.

Forbes, J. (2002). A língua molda o inconsciente. Entrevista para a Revista Língua. Especial Psicanálise e Linguagem. pp. 32-40.

Freud, S. (1900). A interpretação dos sonhos. IN S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. 4). Rio de Janeiro: Imago. 1998.

Freud, S. (1950 [1895]). Projeto para uma psicologia científica. In S. Freud, Edição standard brasileira de obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. 1, pp. 301-409), Rio de Janeiro: Imago. 1998.

Freud, S. (1950 [1896]). Carta 52 a Fliess. In S. Freud, Edição standard brasileira de obras psicológicas completas de Sigmund Freud. (Vol. 1, p. 281-287), Rio de Janeiro: Imago, 1998.

Frota, M. P. (1999). A singularidade na escrita tradutora: linguagem e subjetividades nos estudos da tradução, na linguística e na psicanálise. Tese de doutorado. Instituto de Estudos da Linguagem. Universidade Estadual de Campinas. Campinas (SP).

Jorge, M. A. C. (2002). Discurso e liame social: apontamentos sobre a teoria lacaniana dos quatro discursos. In D. Rinaldi & M. A. C. Jorge. (Orgs.), Saber, verdade e gozo. Rio de Janeiro: Rios Ambiciosos.

Lacan, J. (1949). O estádio do espelho como formador da função do eu. In J. Lacan, Escritos (pp. 96-103). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.

Lacan, J. (1954a). O seminário, livro I: os escritos técnicos de Freud. Buenos Aires: Paidós, 2008.

Lacan, J. (1954b). A significação do falo. In J. Lacan, Escritos ( Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.

Lacan, J. (1956). O seminário, livro 4: a relação de objeto. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1995.

Lacan, J. (1964). O seminário, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.

Lacan, J. (1977). O seminario, libre XX: mais, ainda. Buenos Aires: Paidós, 2008.

Lacan, J.(2005). O seminário, livro XXIII: o sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Laplanche, J.; Bourbignon, A; Cottet, P.; & Robert, F. (1989). Traduire Freud. Paris: Presses Universitaires de France.

Mezan, R. (2002). Interfaces da psicanálise. São Paulo: Cia das Letras.

Paz, O. (1971). Traducción: literatura y literalidad. Barcelona: Tusquets.

Rónai, P. (1981). A tradução vivida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Roudinesco, E. (2001). Por que a psicanálise? Rio de Janeiro: Zahar.

Venuti, L. (1995). A invisibilidade do tradutor. Revista PaLavra (3): 111-134. Departamento de Letras da PUC-Rio.

Wittgenstein, L. (2000). Investigações filosóficas. São Paulo: Abril.




Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre
Rua General Andrade Neves, 14/802
Porto Alegre - RS - Brasil
90010-210

Fone: 55 (51) 3228 7583 / 3224 3340 
revista@sppa.org.br