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A criatividade: um novo paradigma para a psicanálise freudiana

René Roussillon

Resumo


O autor estuda o conceito de criatividade de Winnicott, desenvolvido em O brincar e a realidade, colocando-o em diálogo especialmente com o sexual e com a sublimação presentes na metapsicologia de Freud. Ressalta que, apesar do desenvolvimento de uma metapsicologia e da habitual concepção de simplicidade não serem a priori a preocupação de Winnicott, algo que uma primeira leitura de seus trabalhos pode sugerir, há um rigor em Winnicott que se fundamenta na psicanálise dita tradicional, embora busque, a partir da experiência clínica, abarcar fenômenos psíquicos não descritos por ela. Tenta integrar a experiência da alucinação em Freud, vivida auto-eroticamente na e pela ausência do objeto, defendendo sua produção como fenômeno psíquico na presença do objeto como espelhamento, onde o perceptual encontra o alucinatório e confirma a concepção ilusória do criado-encontrado. Defende que, para um adequado desenvolvimento deste processo, o objeto deve “sacrificar” os próprios desejos e estados a partir de seu feminino puro e como um meio maleável (M. Milner), podendo, assim, auxiliar na adequada inscrição desses momentos informes vividos pelo infans, uma fecunda experiência de estar só na presença do objeto. A partir de tal processo, poder-se-ia entender o domínio/domesticação pulsional referido por Freud como um tomar para si. Em um momento seguinte, com a descoberta do objeto como outro-sujeito, será necessário que este se deixe usar, podendo ser “destruído” e sobreviver sem represálias, constituindo, então, um processo de destruído/perdido/encontrado. Assim, um movimento de jogo (play) entre infans e objeto deverá estar sempre presente, desde a fase vivida em processo ilusório, constituindo uma criatividade primária automática, até a fase conduzida por moções pulsionais subjetivadas no contato com o objeto outro-sujeito, constituindo uma criatividade voluntária (R)


Palavras-chave


Winnicott; Freud; Metapsicologia; Criatividade; Relação de objeto

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.5281/sppa%20revista.v27i2.620

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