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Para aquém do princípio do prazer: o umbral

Paulo de Moraes Mendonça Ribeiro

Resumo


Na clínica contemporânea observam-se analisandos nos quais o princípio da realidade parece ter se instalado antes do princípio do prazer. Aproximando referenciais de Freud, Winnicott e Bion, o autor propõe pensarmos as primeiras realizações oníricas prazerosas como matriz mental. Falhas nestas primeiras experiências emocionais acarretariam o desenvolvimento de uma área da experiência descrita como uma cesura estagnada, uma dimensão anterior ao princípio do prazer onde o ser, impossibilitado de guiar-se através das qualidades sensoriais prazer/dor, resulta pouco mais que seus tropismos: um umbral aquém do princípio doprazer. Esta abordagem acarreta implicações técnicas no trabalho analítico com estas camadas protomentais. O autor propõe que, nestas áreas, é importante o analista estar livre para trazer ao setting amplas áreas de sua personalidade, usando sua intuição, espontaneidade bem-humorada e criatividade na gestão da relação analítica destes analisandos.


Palavras-chave


princípio do prazer, matriz da mente, cesura, umbral, humor, relação analítica.

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DOI: https://doi.org/10.5281/sppa%20revista.v21i1.29

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