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Paixão, violência e desumanização

Carlos Augusto Ferrari Filho

Resumo


Se, e quando, a paixão é potência sublimatória e atua predominantementeem termos de Édipo, tem-se no cultural um movimento no sentido dapenosa busca da verdade psíquica em um determinado momento histórico.Em seu oposto, quando a paixão se ancora em Narciso, vivem-se temposproblemáticos, durante os quais a desmentida dá as cartas. Assim, apaixão, enquanto movimento libidinal objetalizante, torna-se importanteelo na cadeia do processo civilizatório e, portanto, na humanização dosujeito. Tudo ocorre ao contrário se os tempos ficam sob a égide deNarciso. Discutir-se-á, brevemente, o papel (des)estruturante da paixãona função simbolização da pulsão. Abordar-se-ão as relações entreverdade histórica e psíquica, duas das metáforas possíveis quando setenta compreender e apreender a realidade. Considerar-se-ásuperficialmente a questão da palavra encobridora, ou seja, quando estadescumpre sua vocação como reveladora da pulsão, transformando-seem discurso que serve para encobrir um determinado momento pulsional,movimento desorganizador que impacta as relações sujeito-objeto, tantono individual como no social. Discutir-se-á, por fim, a lógica de um tempocontemporâneo no qual as relações sujeito-objeto encontram-se matizadasexcessivamente pela força de paixões deslocadas no sentido de Narciso.

Palavras-chave


paixão, simbolização, pulsão, Narciso, violência, contemporâneo, verdade, cultura.

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Referências


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