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Um olhar psicanalítico em uma enfermaria de alto risco obstétrico

Ivanosca Inês Martini

Resumo


Este artigo versa sobre a vivência de inserção da autora, como psicanalista,em uma equipe multidisciplinar de alto risco obstétrico, em um hospitalgeral do Sistema Único de Saúde de Porto Alegre, referência no sul dopaís. Discorre sobre a construção de um setting apropriado a esta tarefa.Do mesmo modo que o feto é percebido, pela mãe, no início da gravidez,como um estrangeiro, a autora vivencia seu ingresso na equipe como umcorpo estranho. Enquanto a autora se disponibiliza internamente parareceber e conter as intensas angústias que rondam a equipe, que trabalhasempre pressionada pelo risco iminente de perder a mãe e ou o feto, vaitecendo histórias que revelam, na ausência de palavras, o que só podeser expresso pelo corpo através de sinais e sintomas. Conclui com o relatode um encontro terapêutico com uma grávida na 30ª semana de gestação,com crescimento intrauterino restrito (CIUR), sem uma causa detectada,pelos exames realizados, de origem materna ou fetal. Em sua forma deabordagem do caso, expõe de que modo foi se constituindo como umapsicanalista em uma unidade de alto risco, a partir de sua formaçãopsicanalítica, dos instrumentos que desenvolve , a partir da observaçãoda relação mãe-bebê (ORMB) pelo método preconizado por Esther Bick,que lhe dão acesso a todo o universo primitivo, aliada a um amplo diálogoe estudo adquiridos por meio de conhecimentos advindos de áreas afins.

Palavras-chave


psicanalista, equipe multidisciplinar, setting, gravidez de alto risco, encontro terapêutico.

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DOI: https://doi.org/10.5281/sppa%20revista.v21i2.158

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